segunda-feira, 20 de junho de 2011

Itutinga continua na contramão de direção do turismo




A Garganta, importante ponto de visitação do município de Itutinga, foi definitivamente arrancada da população. Primeiro ela foi cercada por um “quilométrico” muro (ver postagem) que imprediu o acesso por terra. Agora ela foi cercada por arame farpado para dificultar o acesso de quem tenta alcançá-la por água.
O acesso à água e aos Bens da União, direitos constitucionais do brasileiro, estão barrados ao turista e ao cidadão sem que o Poder Público tome uma atitude!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Restaurante do Jorge no SABORES DE MINAS



Por Paulo Gaia

Com apenas 6 anos em Itutinga trabalhando com a gastronomia local, Jorge não só inovou, mas influenciou a maneira de se preparar, servir e comer peixe. Seus filés não são retalhados, mas desossados, e os espinhos mais recônditos são retirados a pinça! As iguarias são assadas e servidas sobre pedra, e os clientes desavisados acabam voltando, não só pela avidez de saborear novamente um excelente prato, mas para desfrutar da simpatia do maitre, da simplicidade do local e do aprazível atendimento.
Todas essas características levaram o Peixe à Parmegiana na Pedra, especialidade do Restaurante do Jorge, às páginas do Sabores de Minas do jornal Estado de Minas. Clicando nas fotos você pode ler a íntegra da matéria e ainda aprender a preparar um delicioso curimba à parmegiana com receita do próprio Jorge!
Bon appétit! Ou melhor: Bom apetite, uai!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A Festa de Santo Antônio em Itutinga - MG1

Luciano Hermes da Silva

Junho é tradicionalmente o mês de festas juninas. Cidades, paróquias, comunidades e entidades as organizam no intuito de prestar homenagem ao seu santo padroeiro, como por exemplo, Santo Antonio, em Itutinga - MG. Diferente das circunstâncias das festas juninas de um passado não tão distante, o evento saiu do mundo rural e é comemorado nas cidades com requintes do universo caipira, mas também atendendo as demandas do mundo contemporâneo, mesmo que ela ocorra descaracterizada, oferecendo elementos de outras culturas além daquela tradicional do homem do interior.

A festa junina da atualidade é apenas um estereótipo da festa caipira do século XIX, uma espécie de folclore do homem rústico, recentemente transformado em uma representação absorvida pela indústria cultural, que rigidamente modelou a festa no que se vê hoje.




O sociólogo Antônio Cândido, na obra “Os Parceiros do Rio Bonito”2, já havia anteriormente demarcado o caipira através de três conceitos que ajudam a alimentar o folclore de sua imagem: mínimo vital (satisfação imediata da existência), mínimo social (sociabilidade limitada ao parentesco e vizinhança) e rusticidade (não demanda nada do mercado além do básico). A partir destas demarcações, Cândido contextualizou e expôs como o mundo caipira era sustentado e como suas necessidades giravam em torno de um equilíbrio da economia agrícola. Ele foge dos excedentes.



Nessa perspectiva, a festa junina era um evento de rara chance em que tinha o caipira de encontrar com pessoas diferentes, pois ao contrário do mundo urbano, no espaço rural de outrora uma comunidade era afastada da outra e só se encontravam em eventos deste porte. Trata-se de um evento do calendário agrícola, tendo como referência a origem dessas festividades ainda na Europa Medieval.
Tributos a Santo Antônio, São João e demais entidades divinas eram tradicionais na Europa Medieval durante junho porque é o mês da chegado do verão, ou seja, das colheitas. Era uma forma do homem medieval, extremamente religioso, fazer oferendas e pedir sucesso no seu plantio de subsistência. Para entender ainda mais a gênese dessas festas, pode-se retomar a Antiguidade Clássica. Na Roma e Grécia Antiga essas festas eram relacionadas ao Deus do Fogo, devido à estação quente que chegava. Por isso existem fogueiras nas festas, denotando enfim a origem pagã de um evento contemporâneo envolvido diretamente com o cristianismo.

As festas de hoje em dia já vêm com tudo pronto. Tudo empacotado e pronto para comer.
Não há união, vizinho não conhece vizinho. Nas ruas não se pode mais fazer fogueira. Balões são proibidos de soltar. As festas são organizadas por clubes, escolas e entidades assistenciais.
Fazem-se shows de pagode, convidam-se grandes astros para incrementarem as festas e assim ganharem mais dinheiro. São festas comerciais. Não há mais inocência, romantismo, cooperação e fraternidade.

1 Este texto foi elaborado a partir de anotações de aulas do curso de Sociologia, do projeto Educação de Jovens e Adultos da Escola Estadual Jaime Ferreira Leite (Itutinga - MG), no ano de 2009 e com base nos textos de Ivalda Nazaré e André Ferreira.
2 CÂNDIDO, Antônio. Os parceiros do Rio Bonito: estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos seus meios de vida. São Paulo: Livraria Duas Cidades, 7ª ed., 1987.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Sobre os sistemas agroflorestais



A idéia é que essa seja a primeira de muitas postagens sobre a Agroecologia e sobre a Agrofloresta, em particular.
Em Itutinga a produção agropecuária é organizada de modo a atender, principalmente, os mercados consumidores de laticínios e de carne bovina. Os impactos ambientais são enormes. A contrapartida econômica é desvantajosa para a maioria dos produtores. A segurança alimentar não é garantida. A produção é altamente dependente de produtos agroquímicos.
A agroecologia se baseia na diversificação da produção aliada à conservação dos recursos naturais, da biodiversidade e à recuperação das áreas degradadas.
Está em gestação um sistema agroflorestal de caráter experimental para que as práticas agroecológicas se tornem conhecidas e quem sabe, sejam assimiladas e multiplicadas em Itutinga.
Um sistema agroflorestal (SAF) é uma forma de produzirmos alimentos ao mesmo tempo em que conservamos ou recuperamos a natureza. Isso é possível porque nessa forma de produção, ao invés de retirarmos toda a vegetação original e plantarmos apenas uma cultura em uma larga extensão de terra, procuramos entender o funcionamento da natureza e imitá-la, utilizando as relações entre os seres vivos a nosso favor e estimulando a biodiversidade.
Nas agroflorestas utilizamos culturas agrícolas, árvores e animais em um manejo que leva em consideração o tempo e o espaço, no qual é muito importante o conhecimento das características de cada espécie utilizada e sua relação com as demais. A adubação é feita de forma natural, com os recursos disponíveis e com a dinâmica de ciclagem de nutrientes típica das florestas, através da poda das árvores e da adubação verde. Não utilizamos agrotóxicos nem adubos químicos, pois só causam contaminação química e mais desequilíbrio, indo contra a técnica da agrofloresta (que propõe um controle natural das pragas através do restabelecimento do equilíbrio ecológico).

Vantagens dos SAF’s

1 - Os SAF’s aliam a produção de alimentos com a conservação do meio ambiente.
_ Quando não usamos venenos e químicos, não poluímos as águas, o solo e os alimentos;
_ Os SAFS ajudam a controlar a erosão dos solos;
_ Diminuem a necessidade de derrubar a floresta para abrir novos roçados;
_ Grande eficiência na ciclagem de nutrientes;
_ Ajudam a manter a fauna, permitindo realizar a caça racional;
_ Uma terra plantada com roça de forma convencional produz bem durante poucos anos, após os quais há uma queda na produção, enquanto os SAF’s duram de 100 a
200 anos;

2 - Os SAF’s são importantes na recuperação de áreas degradadas.
_ São utilizadas espécies poucos exigentes quanto a qualidade do solo, capazes de melhorar a terra para as espécies mais exigentes;
_ No consórcio de espécies, uma planta ajuda a outra a se desenvolver;
_ Ao longo do tempo, a terra vai se recuperando naturalmente;
_ A sucessão natural é o trabalho da própria natureza pra se recuperar;
_ Os SAF’s cumprem duas funções ao mesmo tempo, pois durante a recuperação da área são produzidos alimentos e outros produtos;

3 - Segurança alimentar.
_ Melhoria da alimentação das populações rurais e dos consumidores;
_ O alimento produzido sem adubos químicos é mais rico em nutrientes e mais saudável;
_ O alimento produzido sem veneno não faz mal à saúde;
_ Melhoria da qualidade de vida de quem come e de quem produz;
_ Consumindo alimentos das agroflorestas, estamos colaborando diretamente com a preservação da natureza;

4 - Os SAF’s facilitam o trabalho do agricultor.
_ Melhor distribuição da mão-de-obra ao longo do ano;
_ Tornam mais confortável o trabalho na roça;
_Quando bem estabelecidos, continuam produzindo sem exigir muita mão-de-obra em tarefas de tratos culturais e manejos;
_ Por manter o solo produtivo por longos períodos, ajuda a fixar o agricultor a terra e lhe dá mais tempo livre no dia-a-dia;
_ Garantia de produção e renda para as gerações futuras;
_ Valorizam a cultura local;
_ Melhoria da qualidade de vida dos produtores e produtoras;

5 - Benefícios econômicos.
_ Aumenta a renda familiar;
_ Custos de implantação e manutenção são acessíveis aos pequenos agricultores;
_ Intensificação do grau de utilização da área;
_ Menor risco aos produtores, devido a maior diversificação da produção;
_Construção de capital “em pé”, para o caso de emergências;
_ Diminui o custo com insumos externos;

Desvantagens dos SAF’s

1 - O manejo é um pouco mais complicado.
_ Os conhecimentos dos agricultores e técnicos sobre os SAF’a ainda são muito limitados;
_ Pouco conhecimento sobre alelopatias* ;
_ Distanciamento e espaçamento devem ser decididos pra cada espécie;
_ Utilização de espécies que podem ser novas aos agricultores;
_ Requer maior capacidade de observação e maiores conhecimentos;
_ Os efeitos benéficos dos SAF’s dependem da qualidade e periodicidade do manejo;

2 - Desvantagens econômicas.
_ O retorno do capital pode ser mais lento;
_ O manejo incorreto pode diminuir o rendimento dos cultivos agrícolas;
_ Atualmente os produtos gerados pelos SAF’s têm mercados limitados (necessidade de organização em associações e cooperativas);

3 - Outras
_ Aumenta a competição por luz, água e nutrientes;
_ Difícil mecanização com as máquinas atuais;
_ As árvores, quando grandes e velhas, podem causar acidentes;
_ Ausência de pesquisas para os cultivos consorciados;

* "Capacidade de as plantas, superiores ou inferiores, produzirem substâncias químicas que, liberadas no ambiente de outras, influenciam de forma favorável ou desfavorável o seu desenvolvimento"

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Lagarto Preguiça





Apesar dos constantes massacres que vem sofrendo em função do impacto da agropecuária, a natureza insiste em se manifestar de maneira surpreendente em Itutinga. Este é um lagarto difícil de ser encontrado pela sua capacidade de se confundir com o ambiente, é preciso ter olhos de águia para percebê-lo, como os de André Ferreira da Silva, o astuto mateiro que o localizou em suas andanças com Pedrinho e Zinho.
O Lagarto Preguiça (Polychrus acutirostris) consegue mover os olhos independentemente e se arrisca a mudar de cor, embora de uma maneira um pouco acanhada; ele não domina a arte tão bem como o seu parente camaleão. Esta proeza é conseguida com o auxílio de cromatóforos, células de sua pele, com pigmentos, que se distendem ou se contraem alterando sua tonalidade.
É uma espécie diurna. Sua camuflagem e imobilidade são suas defesas, passa a maior parte do tempo imóvel para não ser percebida pelos predadores. Seus movimentos são muito lentos, até para capturar suas presas: grilos, gafanhotos, louva-a-deus, larvas, besouros, vespas, mas os vegetais também fazem parte de sua dieta.
Sua longa cauda é preênsil, ou seja, é utilizada para “segurar”, e também para sustentar o animal em suas “escaladas” por árvores e arbustos, pois é uma espécie arborícola que habita o cerrado nas regiões Nordeste, Centro-oeste e Sul do Brasil, mas ocorre também na Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai.
Quando se sente ameaçada, a Preguiça se coloca entre o galho e o observador, para se esconder. Também pode abrir a boca ou inflar o corpo para parecer mais assustadora. Em situações mais extremas pode inflar o saco gular (do pescoço) ou até morder o visitante inoportuno. A mudança de cor é inevitável nessas ocasiões.
A reprodução da espécie ocorre de setembro a março, época de chuvas, com período de incubação dos ovos de cerca de 4 meses. Uma fêmea põe em média 18 ovos; cada ninhada varia de 7 a 31 ovos. Os filhotes nascem com 4 cm, atingem 7,5 cm ainda no primeiro ano de vida e, adultos, chegam a 15 cm, fora a longa cauda.
A nossa Preguiça não é considerada uma espécie em extinção, pois o cerrado brasileiro é muito vasto, mas em Itutinga está cada vez mais difícil observar um lindo bichinho desses.

sábado, 18 de julho de 2009

Mil visitas


Chegamos a 1000 visitas! Sem ao menos fazer uma divulgação efetiva, já conseguimos uma façanha. Isso demontra o interesse, das pessoas que visitam o blog, pela nossa cidade. Agradecemos em nome dos colaboradores!
Participe, solicite a sua inclusão como colaborador e expresse as suas ideias!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A contribuição de Itutinga para o Aquecimento Global


Todo ano é a mesma coisa: as chuvas se vão e o fogo assola Itutinga. A foto acima exemplifica o hábito de pôr fogo, pelo simples fato de estar seco, não importa o quê: lixo, quintal, terreno baldio, mato, pasto, beira de estrada, encosta de serra. E lá se vão as partículas para a atmosfera contribuir para o desequilíbrio do clima do Planeta. 
O impacto dos aerossóis sobre o clima ainda é pouco conhecido; as estimativas atuais das mudanças climáticas globais são incertas, mas consideradas por muitos cientistas, alarmantes. Sabe-se que as partículas de aerossóis presentes e constantemente lançadas na atmosfera são apenas “coadjuvantes” no cenário das mudanças climáticas, deixando os gases do efeito estufa como protagonistas de um processo sem freio e precedentes. Mas não é por isso que vamos sair por aí incendiando nossa cidade, podemos contribuir para a diminuição das emissões simplesmente tendo um comportamento adequado, fazendo a parte que nos cabe.

Já temos duas hidrelétricas no Município, Camargos e Itutinga, não precisamos colaborar mais. Os cientistas responsabilizam justamente essas usinas, eleitas como “ecologicamente corretas” para gerar energia limpa e sem resíduos, pela emissão de gases do efeito estufa. Elas lançam tanto CO2 na atmosfera quanto as termelétricas a carvão! Isso se deve à decomposição da grande quantidade de matéria orgânica que fica submersa no alagamento, florestas inteiras, e quando essa vegetação se deteriora lança no ar gigantescas doses de dióxido de carbono e gás metano. Só a usina de Tucuruí, no Pará, deposita 6 milhões de toneladas anuais de CO2 na atmosfera. Há estudos para contenção e aproveitamento desses gases exatamente para gerar energia elétrica. Há também muitos meios viáveis e não poluentes de gerar energia elétrica com tecnologia de ponta que não são utilizados, eles estão aguardando só atitudes! Apenas para se ter uma ideia, se o lago de Camargos fosse coberto por painéis solares, geraria mais energia que a atual hidrelétrica. E o que dizer do vento que sopra constantemente no Município? A hidrelétrica é uma solução simplista no Brasil, e é poluente!

Saiba Mais!